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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Mercado Imobiliário de São Paulo só vai se valorizar


Luiz Augusto Pereira de Almeida*

A toda hora surge a pergunta: os preços dos imóveis em São Paulo irão cair? É melhor comprar agora ou esperar um pouco? Sempre é difícil predizer o futuro, mas, nesse caso, os indicadores estão todos apostando para a continuidade da alta.

São Paulo é uma cidade que a todos encanta. Centro pulsante da América Latina, ela é dinâmica, atraente, forte e envolvente. Concentra inteligência, criatividade, tecnologia, inovação, empreendedorismo e, porque não, sensibilidade e espiritualidade. Dados da prefeitura indicam que a projeção populacional para a capital é de 12,250 milhões de pessoas para 2030. É como se, daqui até lá, crescêssemos uma cidade de Itatiba ou Caraguatatuba por ano. Para absorver um aumento desse porte, é necessária uma oferta contínua de habitação.

Dados do Secovi - O Sindicato da Habitação indicam um forte crescimento de unidades vendidas nesta última década ( pico de 35,8 mil unidades em 2010), mas ainda distante do quadro ideal. E, como sabemos, o preço de qualquer produto é identificado pela combinação daoferta e procura. Se temos mais oferta, o preço cai e, o contrário é verdadeiro. Vale dizer que, se a oferta é escassa, os preços sobem, e parece que a oferta para os próximos anos, devido a alguns fatores, será menor ou semelhante à dos anos anteriores.

Falta de terrenos: São Paulo optou em seu plano diretor por restringir a ocupação dos terrenos. Já chegamos a construir o equivalente a 22 vezes o tamanho do terreno ( Edifício Martinelli) e hoje esse múltiplo não passa de uma ou duas vezes. Quem quiser construir mais, tem depagar licença para a prefeitura. Ou seja, nunca teremos verdadeiros arranhacéus em nossa cidade, acomodando milhares de pessoas, como ocorre em centros urbanos como Nova York, Dubai e Miami. Se para cima não pode, só nos resta crescer para os lados, através do espalhamento. Portanto, sempre haverá o efeito borda, ou seja, o centro mais caro e a borda mais barata.

Processo de aprovação: um projeto de um empreendimento residencial na cidade de São Paulo, dependendo de seu porte e localização, pode levar anos para receber um alvará de obra, prazo incompatível com o dinamismo da cidade.

Restrições ambientais e compensações urbanas: a euforia e os debates que temos visto no Brasil sobre o meio ambiente devem nos levar, em breve, a um impasse. Na recente aprovação do Código Florestal, nenhuma distinção foi feita entre meio ambiente urbano e rural. Ou seja, uma mesma lei deverá ser aplicada no campo e na cidade, quando os dois ambientes são totalmente distintos e demandam soluções amplamente diferentes. Com mais restrições no uso e ocupação do solo, os custos serão, certamente, maiores.

Custo da Construção: com o crescimento da indústria da construção civil, temos visto nos últimos anos uma forte pressão sobre a capacidade de produção dos fornecedores de materiais de construção,forçando um generalizado aumento de preços.

Custo da Mão de Obra - com o aumento de lançamentos, bem como da construção em geral no Brasil (vide estádios, ginásios e infraestrutura para a Copa do Mundo de 2014 e Olimpíada de 2016), a mão de obra tornou-se um bem escasso e com isso os salários dispararam.

Aumento de renda revertido para imóveis - a economia brasileira vem crescendo e a ascensão das classes C e D impulsionou de uma forma geral a renda da população. E parte deste excedente foi e está sendo canalizado para o setor imobiliário, seja para a primeira moradia, seja para especulação.

Diminuição das taxas de juros - a força tarefa do governo em prol da redução das taxas de juros ( 19% em 2005, para 9,75% em 2010 e, agora, em 8%) levará investidores e poupadores a transferirem seus recursos para algomais rentável. O mercado imobiliário, com certeza, será uma forte opção.

Aumento de Crédito - nos últimos anos, o aumento de crédito foi expressivo. De R$ 10,4 bilhões (poupança mais o FGTS) em 2005 para R$ 84,1 bilhões em 2010. Financiamentos de até 30 anos foram estabelecidos, facilitando a compra do imóvel. A expectativa do mercado é de que a relação crédito/PIB cresça dos atuais 3% para 10% nos próximo anos.

Menor número de lançamentos nos próximos anos - As construtoras/incorporadoras lançaram inúmeros empreendimentos e, atualmente, estão sofrendo nos prazos de entrega, face aos desencontros de mão de obra, ou mesmo de materiais de construção. Assim, haverá um prazo para arrumar a casa, escasseando a oferta.

Psicológico coletivo -você já vendeu um imóvel e com odinheiro tentou comprar outro igual? Provavelmente, não conseguiu. O medo devender barato faz com que os preços estejam sempre subindo.

Devido a todas as razões aqui analisadas, salvo se houver um grande colapso econômico mundial ou alguma interferência governamental, dificilmente os preços dos imóveis cairão nos próximos anos na cidade de São Paulo. Por analogia, o mesmo deve ocorrer emtodo o Brasil.

*Luiz Augusto Pereira de Almeida é diretor da Fiabci/Brasil e diretor de marketing da Sobloco Construtora S.A.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

CUB no país sobe 0,17%


O custo médio do metro quadrado de construção no Brasil, calculado pelo Banco de Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), variou +0,17% no mês de setembro em relação a agosto, acumulando alta de +3,86% no ano e de +4,59% nos últimos 12 meses. Em valores monetários, o CUB médio Brasil foi de R$ 865,42 por metro quadrado de construção. 
Custos com mão-de-obra e materiais - Na composição relativa do CUB médio Brasil, o CUB mão-de-obra correspondeu a R$ 447,03 por metro quadrado e apresentou alta de +0,03%. As maiores variações neste item foram observadas no Ceará (+0,81%) e no Paraná (+0,19%).

Por seu turno, o CUB materiais na média Brasil subiu +0,32%, correspondendo a R$ 418,36 por metro quadrado de construção. As altas mais expressivas ocorreram na Paraíba (+2,96%), no Maranhão (+2,44%) e na Bahia (+2,19%).


Quando se analisa o conjunto dos 20 estados pesquisados, tem-se que 11 materiais de construção tiveram altas reais mais generalizadas no mercado nacional, destacando-se: porta lisa para pintura, marco madeira para pintura, tubo PVC rosca água e registro de pressão que variaram em 10 estados; cerâmica esmaltada 20X20 e fio termoplástico que variaram em 9 estados; chapa compensado resinado, areia lavada, tijolo oito furos, porta encabeçada folheada para cera e azulejo branco extra que variaram em 8 estados dentre os 20 pesquisados.

Dentre os materiais que acumulam maior variação nominal no ano destacam-se: fio termoplástico (+30,21%), marco madeira montado para pintura (+9,21%), telha ondulada de fibrocimento (+8,79%), porta encabeçada folheada para cera (+8,76%), marco madeira montado para cera (+8,20%), chapa de compensado resinado (+7,78%) e brita (+7,44%). (Quadro IV - arquivo anexado)

Análise das regiões - Dentre as regiões, o Nordeste apresentou a maior elevação nominal no custo global (+0,84%). O CUB mão-de-obra subiu +0,13%, puxado pela alta ocorrida no Ceará (+0,81%). Os custos com os materiais de construção na região apresentaram variação positiva de +1,42%, influenciados pelas altas ocorridas em todos os estados, exceto no Sergipe onde os materiais apresentaram queda de -1,66%.


Em seguida apresentou-se a região Sul, onde o custo global subiu +0,12%. O CUB mão-de-obra regional subiu 0,08% puxado pela alta ocorrida no Paraná (+0,19%). Os custos com os materiais de construção na região apresentaram variação positiva de +0,16%, influenciados pelas altas ocorridas no Paraná (+0,25%) e no Rio Grande do Sul (+0,17%). 


No Sudeste, o CUB médio global subiu +0,07%. A região apresentou um acréscimo de +0,18% no CUB materiais em função das altas ocorridas em todos os estados da região. O CUB mão-de-obra ficou praticamente estável apresentando queda de -0,01%.


Na região Centro-Oeste o custo global caiu -0,13%. O CUB mão-de-obra ficou estável e o custo com os materiais sofreu redução de -0,26%, em função da queda ocorrida no Distrito Federal (-1,25%). Na região Norte o custo global caiu -0,30%. O CUB mão-de-obra regional manteve-se estável. Os custos com os materiais de construção na região apresentaram variação negativa de -0,57%, resultado influenciado pela queda ocorrida em Rondônia (-1,35%).

Outros indicadores da construção - Em setembro a evolução do Índice Nacional de Custo da Construção Civil (INCC), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), foi de +0,11% em relação a agosto de 2006, sendo que o item mão-de-obra variou +0,04% e os materiais e serviços aumentaram +0,18%. O custo médio de construção SINAPI ficou em R$ 565,21 por metro quadrado e registrou elevação de +0,24% no mês de referência. Com isto, o indicador calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acumulou variação de +4,07% no ano e de +5,11% nos últimos 12 meses.

Fonte: assessoria cbic